Nós, mães e familiares das vítimas do Estado brasileiro em maio de 2006, manifestamos a nossa total solidariedade ao companheiro italiano Cesare Battisti, que está sendo julgado de forma injusta pelo Estado brasileiro depois de ter sido preso e perseguido arbitrariamente no seu país de origem, a Itália dita “democrática”, simplesmente por lutar por justiça social.
Cesare, como muitos ontem e hoje, foi condenado na Itália por crimes que ele não cometeu, numa evidente perseguição política por ele ter participado de movimentos de resistência contra a sociedade desigual, violenta e injusta italiana. À semelhança de muitos casos aqui no Brasil.
Acontece que o julgamento agora em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), à revelia de uma decisão política tomada pelo ministro da Justiça Tarso Genro, tem como objetivo abrir um precedente muito maior do que o revide específico à justa luta de Cesare. Trata-se, na verdade, de mais uma ação conservadora do judiciário brasileiro visando colocar em questão tanto o direito ao asilo e refúgio político de tod@s guerreiras e guerreiros que resistem em outros países, quanto reforçar a criminalização dos movimentos sociais e de todas as pessoas que lutaram e lutam por justiça e liberdade aqui no país.
Imaginem um mundo onde, em situações limites como as que vivemos cotidianamente, não possamos mais nos refugiar em país algum com segurança de que teremos o mínimo de condições pra recomeçar? Chamamos a atenção de tod@s para o seguinte fato: se confirmada esta decisão judicial arbitrária e conservadora, muitos companheiros e companheiras que resistem em outros países – e neles são cruelmente perseguidos - poderão ter questionada a sua possibilidade de se refugiar no Brasil, com seu direito à integridade, paz e recomeço da vida assegurados.
A luta pela não-extradição de Cesare Battisti deveria sensibilizar e mobilizar todas e todos aqueles que resistiram e resistem contra a injustiça e a violência do Estado e das elites no passado e no presente, em todos os países do mundo!!! Só conseguiremos entender o quê passamos em nosso cotidiano, nas periferias e favelas, no campo e na cidade, se fizermos as devidas pontes históricas com as injustiças e violências vividas em outros períodos históricos (que criaram as condições para as violências de hoje), e em outros lugares e países (que vivem situações semelhantes às nossas). Se não lutarmos tod@s junt@s contra tod@s estas injustiças, não teremos forças suficientes para combater aquelas vividas por cada um de nós!!! Se a justiça não for feita em relação ao passado, não será possível nem no presente, muito menos no futuro!
As Mães de Maio sempre foram, e continuarão sendo, solidárias à luta pelo direito à memória, à verdade e à justiça de tod@s @s perseguid@s e pres@s polític@s do Estado brasileiro, desde @s indígenas massacrad@s, @s african@s escravizad@s, os camponeses e camponesas expulsas de suas terras e assassinad@s, @s operári@s explorad@s, as vítimas e parentes de pres@s e perseguid@s políticos da ditadura civil-militar, e a@s milhares de pres@s polític@s atuais do Estado brasileiro, em sua maioria negra e pobre, das periferias e dos movimentos sociais! Nas fotos que seguem em anexo, nós - Mães de Maio - estamos participando de manifestação em Brasília junto a@s familiares e ex-pres@s e perseguid@s polític@s da ditadura civil-militar brasileira, e pela liberdade de Cesare Battisti.
A luta pela vida e pela liberdade de Cesare Battisti também é uma luta de tod@s nós!!! Ainda é possível reverter mais esta decisão conservadora do judiciário, e pressionar o presidente Lula para que mantenha a determinação do ministro Tarso Genro: liberte Cesare imediatamente e assegure sua integridade e mínima dignidade aqui no país.
Essa luta depende muito de nós, e tem um grande significado de solidariedade internacional!!!
Toda solidariedade a Cesare Battisti e a tod@s @s pres@s e perseguid@s políticos de ontem e de hoje, pelo Estado brasileiro e pelos outros estados autoritários!!!
Ontem foram eles, hoje somos nós, amanhã deverá ser você: se não lutarmos juntos!!!
MÃES DE MAIO